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30 Considerações Assustadoras Sobre o Fim do Emprego e o Futuro do Trabalho

por André Camargo e Julice Daijó

· Emprego,Trabalho,Futuro,Empreendedorismo,Tecnologia

Imagine um mundo em que praticamente TODAS as atividades são desempenhadas por programas de inteligência artificial. Não apenas as mais mecânicas e repetitivas, mas também as atividades criativas, empáticas e de alta complexidade.

Você provavelmente já vem ouvindo esta história faz tempo:as máquinas vão roubar seu emprego! Em vários filmes de Hollywood.

E parece mesmo coisa de cinema.

O problema é que, de acordo com os principais especialistas no assunto, devemos ser surpreendidos por um mundo todo controlado por robôs muito antes do que a gente imagina.

Um mundo com pouquíssimos empregos e salários cada vez mais baixos.

Essa é a avaliação de David Baker, jornalista britânico que fundou a revista Wired e é co-fundador da The School of Life. (davidbakeronline.com)

No ultimo dia 09 de maio, estive em uma palestra estilo TED, bem interessante, embora um tanto perturbadora, ministrada por ele em São Paulo.

Pela profundidade e, sobretudo, pela relevância, fiquei com vontade de compartilhar com você os principais insights.

Bora?

1) A natureza e o sentido do Trabalho deverão se transformar tremendamente, em função da tecnologia. No entanto, a gente gasta muito mais tempo trabalhando do que pensando sobre a natureza e o sentido do Trabalho.

2) A iminência de um mundo sem empregos (em no máximo 20 anos) nos coloca uma questão fundamental: O que nós realmente desejamos, como seres humanos, diante do que a tecnologia tem a nos oferecer?

3) É da natureza da tecnologia acabar com o trabalho. O que é bom, porque as coisas ficam mais fáceis. Ao longo da história, a tecnologia destruiu uma série de empregos, enquanto criava novos empregos e funções-- como a de web designer, por exemplo. No entanto, desde o final de 1990, atividades profissionais vêm desaparecendo em um ritmo muito mais acelerado que o ritmo de criação de novas atividades.

4) A aceleração é vertiginosa. A capacidade dos computadores vem dobrando a cada ano, enquanto o preço de produção despenca.

5) É difícil para nós, seres humanos, tangibilizar o que significa uma progressão que vai dobrando a cada ano. A título de exemplo, se o aumento da velocidade máxima dos carros tivesse progredido na mesma proporção que evolui a capacidade dos computadores, desde sua invenção até hoje, atualmente seríamos capazes de viajar de carro da Terra até Marte em 20 minutos. (!)

6) Uma imagem inquietante e profundamente simbólica: Hoje existem o que chamam de “dark factories”: uma vez que toda a produção é automatizada, essas fábricas ficam lá produzindo coisas no escuro, sem a presença de seres humanos e, portanto, sem a necessidade de luz no ambiente.

7) Hoje, os computadores aprendem com a experiência, ao serem expostos a grande quantidade de dados. É o que se chama de “Machine Learning”. Exemplos: filtro de Spam e Google Translator.

8) Não precisaremos mais redigir códigos e programar as máquinas. Já dispomos de exemplos de máquinas programando máquinas. Esse é o futuro.

9) Em diferentes áreas da Medicina, já existem robôs que superam (muito) seres humanos em precisão de diagnóstico, de prognóstico e em cirurgias.

10) Computadores já estão assumindo algumas das funções de advogados. A previsão é de que, em breve, a profissão deixará de ser necessária.

11) Com a popularização dos cursos e universidades digitais, hoje educação de ponta está se tornando praticamente gratuita e universalmente acessível.

12) A Forbes.com já tem inteligência artificial redigindo artigos para o site, em velocidade espantosa, no lugar de jornalistas de carne e osso.

13) Para David, praticamente não existem empregos em que os seres humanos não possam ser substituídos por computadores—mais eficientes e muito mais baratos. Nem em áreas que a gente considera exclusivas de seres humanos, como as que exigem empatia e criatividade.

14) Mais exemplos: Reconhecimento de Voz (que está sendo usado em larga escala em telemarketing, por exemplo) e Carros autodirigidos (que deverão compor toda a frota do Uber nos próximos cinco anos).

15) As funções de tradutor e de professor de idiomas deverão ser extintas: já existe um aplicativo que permite a você ouvir em sua língua nativa o que está sendo dito em outra língua. Em tempo real.

16) Em meio a tantos outros exemplos, em psicoterapia (conversas de soldados com avatares), composição musical (por meio apenas de amostra, um computador compôs uma ópera que passou por real), na construção civil (casas inteiras impressas em 3D em poucas horas, por cerca de 10 mil dólares), chegamos à conclusão de que não dá para frear o avanço da tecnologia.

17) A questão que se evidencia a partir desse cenário é Por quê, afinal, trabalhamos? Na falta de trabalho, seremos capazes de encontrar substitutos para o que o trabalho nos oferece?

18) E o que o Trabalho nos oferece?

19) Existem três papéis fundamentais para o trabalho em nossas vidas: Dinheiro, Reconhecimento e Controle Social

20) Com a explosão tecnológica, a conexão do trabalho com o dinheiro está desaparecendo. Tem muita gente procurando emprego, o que faz o valor dos salários despencar. A desigualdade de renda também está aumentando vertiginosamente. Com a crescente automatização, não há distribuição e o capital fica todo com os proprietários das tecnologias. Logo, será inviável trocar trabalho por renda. Precisamos de alternativas.

21) Mas não trabalhamos apenas para ganhar dinheiro. O trabalho também está ligado ao Reconhecimento. Nossa atividade principal deveria nos proporcionar um propósito para a vida. Hoje mais e mais pessoas estão adoecendo porque não conseguem ver propósito no que fazem.

22) O trabalho também serve para organizar a sociedade. Quando há muita gente desempregada, essas pessoas tendem a ocupar o espaço público e fazer manifestações que ameaçam o status quo. O controle social é uma função do trabalho que interessa sobretudo a tiranos e ditadores. (Daí o slogan, por exemplo: “Não fale em crise; trabalhe”)

23) O que David mais teme não são os robôs, mas que a gente chegue coletivamente a uma solução equivocada. Afinal, a história demonstra que, em qualquer lugar, o aumento da desigualdade leva a problemas em diversos níveis. Como o problema de massas enfurecidas e a escalada de guerras e conflitos sociais. Que, por sua vez, tendem a ser sucedidos pela emergência de líderes messiânicos e regimes totalitários.

24) Um exemplo de resposta desastrosa: David mostra a imagem de um bunker nuclear (como um prédio construído para dentro da terra, com vários andares), projetado a pedido de executivos do Vale do Silício (os proprietários da tecnologia) a ser defendido por exércitos privados.

25) Existe uma alternativa a um tempo mais simples e mais desafiadora. Uma saída que, surpreendentemente, tem agradado a representantes tanto da Esquerda quanto da Direita: a Renda Básica Universal. Cada cidadão recebe um “salário” mensal, suficiente para viver, simplesmente por estar vivo.

26) A ideia agrada à Esquerda por propiciar distribuição de renda. E à Direita porque, ao diminuir o risco (a segurança financeira mínima está assegurada), deverá fomentar o empreendedorismo e a inovação que permitirão a sobrevivência da dinâmica capitalista.

27) Os resultados de experimentos preliminares em países que adotaram a RBU têm demonstrado que, ao contrário do que se poderia imaginar, as pessoas que recebem renda mínima não tendem a se acomodar, mas buscar mais agressivamente um complemento de renda. Também foram relatados maior nível de felicidade e coesão social.

28) Como seres humanos, todos temos um potencial espantoso. É um desperdício que a gente precise trabalhar tanto. Deveríamos trabalhar no máximo 3 ou 4 dias por semana, e deixar o resto para as máquinas. As pessoas estão desempenhando funções que detestam, que são entediantes e desagradáveis. Por que não nos libertamos dessas tarefas? Afinal, todos temos potencial, mas pouquíssimos têm a oportunidade de explorá-lo.

29) A tecnologia está avançando em uma proporção inimaginável. Devemos parar de pensar sobre como vamos nos safar, individualmente, como o povo do Vale do Silício, e passar a pensar coletivamente sobre nosso propósito neste planeta, neste tempo histórico.

30) Diante da explosão tecnológica inevitável e iminente, qual é, de fato, a nossa missão?

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